Estávamos as quatro sentadas na mesa de um bar, fingindo que era uma ocasião especial (como se não fizéssemos isso quase todos os dias), e entre um gole e outro, uns olhares pro lado, um flerte com o moreno da mesa de trás, uma escapadinha pra fumar um cigarro, eis que surge o assunto – aquele que nunca pode faltar numa mesa de bar: o (não) amor.

Não

E começam aqueles questionamentos: “Mas você ligou?”, “Ele ligou?”, “Você tá correndo atrás?”, “Eu acho que você deve esperar ele te procurar”.

A gente cresce em meio aos tombos de bicicleta, os joelhos ralados e a nossa avó falando pra gente nunca correr atrás de homem, daí a gente vai aprendendo a fazer aqueles joguinhos de (não) amor, tão comuns em começos de relacionamentos.

Ele vai pedir pra você adicioná-lo no facebook e você vai esperar três dias pra fazer isso, pra não parecer desesperada. Ou você vai esperar três dias para ligar enquanto você checa seu celular de 10 em 10 minutos pra ver se não tem uma chamada perdida. Quando você mandar um sms, vai contar quantos minutos ele vai demorar pra responder e demorar o dobro pra respondê-lo de volta. E quando se trata de sexo então? O assunto que já não é mais tabu, mas quando diz respeito a transar no primeiro encontro vira quase um papo sobre religião. Você não vai transar logo de cara porque ele vai te achar promíscua, e se você não liberar tão cedo talvez ele dê valor e continue com você. Se você transar logo no começo ele vai te largar. Se você esperar mais um pouco, vocês vão se envolver mais, e vocês vão transar, e ele vai te largar. Eu mesma tenho pensado em começar a transar logo no primeiro dia, quase que instantaneamente com o primeiro beijo. Pelo menos se o cara cair fora, eu não me envolvi e tudo bem. Foi só sexo, obrigada pela noite maravilhosa (ou não), vou pra casa lavar a louça e não pensar em você.

A verdade é que quando o amor acontece, ele… acontece?

Não tem esperas infinitas por telefonemas, não tem contagens regressivas, não tem máscara de mulher mais difícil do planeta. Ele só chega assim, de mansinho, quase que como uma brisa de outono que vai derrubando as folhas e quando você vê, tá lá! Com raízes dos dois lados e sem jogo nenhum, a menos que seja aquele jogo de dados eróticos onde nenhum dos dois perde, nunca.

Então deixa ele vir, deixa ele passar por você e, se bater, deixa ele ficar, pelo tempo que tiver que ficar e mais nada.

Não existe receita de vida, e nem existe receita pro amor.