Tênis de MesaE ai está você, sentado em uma mesa de bar. O copo de cerveja sua de calor, formando uma poça debaixo dele que aumenta cada vez mais. Você não está ali para se tornar PHD ou terminar sua tese de conclusão de curso (ok, as vezes está. Segredo nosso). Você gostaria de divagar por assuntos que caibam algumas piadas em teoria inteligentes. Pode assumir, a mesa é seus 15 minutos de fama, e de todos nós. Só que tem aquele cara. Aquele cara que leu a mais, aquele cara da classe dos Homo Babacas. Ele sabe mais sobre tudo, sobre você, sobre comportamento, sobre o metal que foi feito o martelo do Thor, sobre o quão complicado é você conduzir eletricidade por uma pipa. Você fica nervoso, seus dedos tensionam sobre o copo e você faz aquele sorriso de canto de boca mais falso que nota de 3 reais.

Naquele momento surge um novo imperador da mesa, ele impõe seu conhecimento e você procura uma brecha para uma piada que prove seu descontentamento, só que agora ela precisa ser mortal. Precisa atacar de forma que o rapaz supere sua sindrome que nomeia esse texto. O chatão vaguea por Foucault a Stephenie Meyer. Lost a PSDB. E caso você falhe miseravelmente, prepare-se para a maior das torturas medievais.

Esse não é um comportamento que surgiu naquela mesa de bar especifica. Isso tem todo um histórico, e nasceu bem antes do que você imagina.

Com sua permissão, retrocedo a situação.

Playground do prédio, você arruma a redinha. Pega duas raqutes e brinca com a bolinha, bate lá e cá para mostrar sua intimidade com os instrumentos. Já aquecido chama os coleguinhas.

– E ai gente, bora jogar um Ping-Pong?

Metade aceita. Outros não gostam. E ele, aquele “mesmo” do bar, o rapaz que escuta milhões de podcasts e gosta de falar sobre bastidores de filmes e de como no quadrinho é melhor, te rebate.

– Não é Ping-Pong, é Tênis de Mesa.

Você fica nervoso, seus dedos tensionam sobre o cabo da raquete e você faz aquele sorriso de canto de boca mais falso que nota de 3 reais. Só que ali você tem toda a sinceridade e falta de senso que só uma criança pode ter, e a vida te retorna com algumas possibilidades:

a) – Então vai toma no cú! – A resposta dos impacientes.
b) – Então vamos jogar “tênis de mesa” – A resposta dos lords.
c) – Putz, nessa mesa é só ping-pong, assim que tiver “tênis de mesa” te aviso – Essa criança é evoluida e vai se destacar no mercado de trabalho. Ou não.

É uma sindrome muito comum nos dias de hoje, “..o Superman não mata”, “a J.K Rowling não podia ter matado a Coruja branca”, “… o homem não pisou na lua”, “…a vida é uma referência a Dr. Who!”. E essa é só mais umas das várias Sindromes que hoje sofremos. E quer você queira ou não, conhecemos alguem que se enquadra.