Minha mãe sempre me dizia para não sair de casa usando calcinhas velhas ou furadas, porque se eu sofresse um acidente ninguém precisaria ver tal coisa, afinal “they are not thank” (eles não são obrigados).

Na minha cabeça isso sempre soou estúpido, já que eu me imaginava toda ensanguentada entre a vida e a morte e esperava que a última coisa que importasse para o médico ou a pessoa que me ajudasse fosse minha calcinha.

Mas este não é um texto sobre como minha família pode ser esquisita (a coisa toda da calcinha até que faz sentido, não?), este é um texto baseado numa epifania: mamãe falava em forma de parábola!

Captei a mensagem só agora, depois de muitos anos: na realidade a calcinha é o nosso coração. Quando você se machuca, ou sofre um desses acidentes em que só você pode enxergar a ferida, as pessoas não precisam ver que sua calcinha está furada, afinal isso só vai te deixar mais frágil e exposto, totalmente suscetível às bactérias da autoestima baixa e do arrependimento.

Infelizmente nem sempre temos condições de estar todos os dias da semana com uma boa roupa íntima e invariavelmente vamos colocar aquela calcinha esgarçada bem no dia em que algo ruim acontecer e acabar mostrando os furinhos pra quem quiser e não quiser ver.
Então bora comprar novas roupas de baixo (que não adianta ficar remendando) e aproveitar mais os dias de calcinha boa, já que acidentes são mesmo inevitáveis.