É bem certo que a arte contemporânea é produto de um processo de desvirtuação da sacralidade ainda recorrente de perceber e conceber apenas uma forma de haver arte. Há uma apropriação diferenciada da arte que vai além do emprego de múltiplos suportes, pois o conceito é tão substancial quanto sua forma.

Tão mais perceptível é o movimento de ruptura da arte contemporânea que se desloca da tela e ocupa o espaço, podendo transitar entre ambos com liberdade e expressividade. Assim, com esse viés, podemos comparar a profundidade da realidade pictórica de Jan Van Eyck com o hiperrealismo tridimensional de Ron Mueck e perceber este movimento liderado pela arte contemporânea.

Muitas são as descobertas que nos hipnotizam os olhos no hiperrealismo e variadas são as técnicas aplicadas. Façamos logo um convite a apreciar alguns artistas que erguem gloriosamente a definição do hiperrealismo que será nosso mote de hoje.

Nascido na década de 70, o hiperrealismo almeja a fidelidade da obra com a realidade, utilizando-se de inúmeros suportes para alcançar esse objetivo, por vezes superam até mesmo a qualidade fotográfica, no caso das pinturas. Um dos seus maiores representantes na atualidade é o australiano Ron Mueck, que através de silicone, resina, poliéster e tinta a óleo, constrói esculturas humanas hiperrealistas que nos deixam em dúvida quanto a sua natureza inerte.