GritoJuliana acordou atrasada naquela manhã. Havia marcado de pintar os cabelos – que antes estavam verdes e agora seriam rosa – logo cedo naquele meio de semana. Saltou da cama e flutuou até o banheiro, como um avião que sobrevoa um vilarejo ao longe.

Sentia-se feliz. Ela estava feliz. A pele estava mais bonita, os olhos com mais brilho e o coração bombeava mais sangue. O motivo? Carlos, seu novo namorado. Se conheceram sem querer dentro de um ônibus. Ela segurou a mochila dele, primeiro por educação e segundo por ter achado ele cheiroso. Ele ‘sem querer’ enroscou o fone na mochila dela. Riram e começaram a conversar. Isso já faz 2 meses e eles estão super bem. A noite vão jantar para comemorar o início de uma nova era, apesar de eu achar que isso é só um pretexto para eles se verem.

Tudo ia bem demais até que, na correria, Juliana e seu dedinho do pé direito – pobre dedinho feio e esmagado em sapatos e sandálias – encontrou acidentalmente a quina de sua cama, fazendo Juliana ser ouvida pelos vizinho do último andar em seu grito de dor e raiva. Ela não pintou o cabelo naquele dia. O médico proibiu qualquer movimento com o pé direito enquanto ele estiver engessado e o pobre do dedinho vai continuar esmagado por alguns dias…