Os olhares se cruzaram e foi profundo. Algo remexeu dentro dos dois jovens. Para ela, poderia ser uma aventura romântica como aquelas postas em sua cabeça por conto de fadas – com lutas e dragões, resgate e beijo no final. Para ele, ela era encantadora e adorava o modo como sorria. Ela aprendera a muito tempo que a vida não é conto de fadas porém, ainda, esperava uma aventura romântica. Ele, descomprometido com tudo e com todos, só pensava no que poderia ganhar em tudo que fizesse.

Se aproximaram, trocaram palavras – preliminares – e olhares cada vez mais quentes. Tocavam as mãos um do outro, eventualmente, demonstrando haver um interesse maior além da fala… Ela, fazia planos em sua cabeça. Ele, dizia os seus planos. Ela confiou.

Quarenta minutos depois o celular dele toca. Uma mensagem. Ele olha, meio preocupado, e guarda o celular. Ela pensa: “Ele prefere estar comigo!”, e sorri. Nem cinco minutos depois, o celular toca novamente com outra mensagem. Ele olha, fica inquieto, e o guarda. Agora ela desconfia mas, ao olhar nos olhos dele, não enxerga mais nada e sorri. Ele aperta as mãos dela, lhe beija docemente, e vai ao banheiro.

Ela termina de tomar a bebida cremosa e doce em seu copo e ansia pela volta do jovem charmoso de sorriso largo e brilhante. Ele volta, passando as mãos nos cabelos, abre um sorriso mostrando os dentes e ela vê estrelas. (Aqueles desenhos infantis fizeram mal a ela) Ele diz ter adorado o papo mas que precisava ir. Pede desculpas, diz que lamenta, mas um amigo precisa dele. Ela entende. Se despedem, ele pega o número dela. Ela não pega o dele. O jovem saiu rápido demais antes que ela o pedisse.

Chove do lado de fora do barzinho. Ele abre o guarda-chuva e o celular toca novamente. Na tela, ele lê: “Amor, não esqueça o vinho. As velas estão acesas e eu também!”. Ele dá um sorriso irônico e satisfeito pensando o quão safada é sua namorada. Vai embora sem olhar para trás. Ela, lá dentro, o vê partir. Percebe o sorriso malicioso no canto da boca e respira fundo. Mesmo esperando um grande amor, ela não é ingênua. Pede uma tequila pro garçom, vira em um gole, e olha para os lados tentando avistar um possível amor.