Esse post faz parte dos antigos contos da hypebox

 

Chegaram apressados na sala de cinema. Ainda faltavam alguns minutos para começar a sessão, mas ela queria ir logo para pegar um lugar legal. Nele, um misto de preguiça e saco cheio: o namoro já não ia tão bem e ele não aguentava mais as pequenas brigas e o blá blá blá de sempre. Naquele dia não estava sendo diferente. O caminho todo até o cinema durou 35 minutos e ela ainda estava reclamando de algo que ele nem se lembrava mais. Quando ela começava a falar ele entrava no modo automático e não ouvia muita coisa. Sentaram ao lado de um casal que conversava ao pé do ouvido e soltavam pequenas risadinhas esporádicas. A namorada ainda estava falando do mesmo assunto e ele não aguentava mais. Deu graças a Deus quando ela disse que iria ao banheiro antes de começar o filme. Coincidentemente o homem do casal ao lado também se levantou e desceu as escadas. Ficaram apenas ele e a mulher do outro casal. Ele começou a reparar nos traços dela: um nariz fininho, comprido e levantado, olhos escuros como pedra, uma pele lisa e cabelos curtinhos bem escuros. Ela olhou para ele e sorriram. Foi ela quem começou:

“Parece que sua namorada está um pouco irritada.” – disse, dando uma risadinha ao terminar.
“É que eu esqueci de dar a ração dela hoje.” – disse ele, dando uma piscada ao terminar.

Ela riu. Conversaram algumas amenidades. Descobriram que não queriam estar assistindo a comédia romântica mas sim o novo filme do Tarantino. Os pareceiros que escolheram o filme e eles simplesmente aceitaram. Riram. Quando o homem do casal estava voltando para seu lugar, ela disse:

“Ninguém merece gente chata. Sei bem como é isso, então não perca tempo.” – e piscou para ele.

O homem voltou e se sentou, enquanto a namorada voltava do banheiro, reclamando da torneira, do papel e de todo universo.

Assim que o filme começou ele sentiu uma mão deslizando por baixo do apoio de braço das cadeiras, indo em direção a sua perna. A primeira reação foi olhar para a namorada, que estava com uma mão na pipoca e outra no refrigerante. Então ele entendeu o jogo e sorriu sozinho. A mão dele deslizou para a cadeira ao lado. Primeiro só acariciou as coxas dela. Um tempo depois ela apertou a perna dele e ele entendeu o recado, subindo a mão levemente pela lateral da barriga dela, chegando até os peitos. Milagrosamente ela não estava de sutiã, o que facilitava muito as coisas.

Ela subiu a mão, forçando o botão da calça dele, até conseguir abrir e colocar a os dedos lá dentro. Ele desceu a mão, fazendo o mesmo na calça dela. Ficaram nessa brincadeira o filme todo, enquanto revezavam a atenção entre parceiro, pessoa ao lado e filme. As letras subiram. A namorada reclamou da atuação dos atores e do diretor. O casal ao lado se levantou e foi embora. Eles também foram embora.

Deixou a namorada na casa dela e nem cogitou emendar um motel naquela noite: estava sem um pingo de vontade de meter com ela.