[VOCÊ ENCONTRA A PRIMEIRA PARTE DESSA HISTÓRIA AQUI]

Nova mensagemNuma noite comum o celular dele toca. Apesar de poder ver a mensagem na hora, ele prefere esperar. Últimamente ninguém tem ido atrás dele a não ser a sua operadora de telefonia avisando que ele está ficando sem créditos. Estava de pé no ônibus enquanto lia seu novo livro da série The Walking Dead, apoiado em uma das barras próximo a porta central. Uma garota ruiva com uma camiseta branca semi-transparente se ofereceu para segurar a sua mochila e ele alternava as páginas com o decote dela, sistematicamente a cada duas páginas lidas. O trânsito estava infernal e chovia pesadamente do lado fora. Do lado de dentro apenas o tédio paulistano típico dos fins de dia tomavam conta do lugar.

O celular dele tocou novamente, avisando que ele tinha uma nova mensagem. Ele respirou fundo, terminou de ler a página, deu uma checada no decote da ruiva e pegou o celular. Uma nova mensagem de um número desconhecido:

“Oi, pensei em você hoje. Seu banco ainda fica fora do ar? Mudei de número. Anote aí. rs bjo”

Demorou um pouco para se lembrar, afinal, já havia passado mais ou menos um mês desde que ele havia conhecido ela. Depois de exatos 12 segundos deu um sorriso e começou a planejar na resposta. Tinha que decidir cada palavra, cada vírgula, cada pausa, para conseguir captar a atenção dela. Voltou ao livro e ao decote, sistematicamente. Pensou que poderia abordar ela diretamente, respondendo a mensagem e chamando-a para sair. Ou poderia desprezar, já que ela não havia respondido anteriormente. Podia ser cordial e esperar ela decidir o futuro. Eram muitas opções e ele estava cansado demais para decidir ali.

A ruiva iria descer e entregou a mochila para ele, e levantou raspando os peitos no braço direito dele. Ali ele ganhou o dia! Sentou-se e tirou o celular do bolso. Chegou a escrever 3 respostas, mas não conseguia decidir no que enviar. Acabou cochilando e acordou perto do ponto de casa. De pé ao seu lado estava um homem estranho. Usava uma blusa de moleton, apesar do calor. Óculos escuros, apesar de ser noite. Não suspeitou muito. Chegou a seu ponto e desceu, correndo para um lugar coberto para não se molhar muito. Não percebeu que o cara estranho tinha descido atrás e corria atrás dele, acompanhando cada passo. Chegaram ao coberto praticamente juntos e o cara já chegou sacando uma faca grande da cintura, encostando ela no pescoço dele.

– “Passa o celular playba! RÁPIDO!” – gritou o cara, cuspindo na cara dele ao terminar a frase.

Ele tremia que nem um drogado sem sua droga. Simplesmente entregou o celular. Tomou um soco na cara e mais uma cúsparada na cara. O cara estranho correu, atravessando a rua e sumindo na escuridão.

O cara estranho resolveu um grande problema naquela noite: não haveria mensagem, não haveria encontro e, o mais importante, não haveria perda de tempo decidindo o que responder. Ele não ficou triste, afinal, seu banco continua ficando fora do ar…