Ao longe se via a fileira de carros em um comboio sombrio. Era final de março e naquele meio de tarde nublado garoava ligeiramente. Em dias assim o mundo parece se preparar para o pior. Alex estava no segundo carro do comboio, sentado sozinho no meio do banco traseiro do carro preto. No banco da frente seu pai dirigia o carro, seguindo o carro preto à frente, enquanto sua mãe tentava conter as lágrimas no banco do passageiro. Alex pensava em dizer alguma coisa, mas não sabia muito bem o porque de tudo aquilo. Só se sentia triste.

Os carros chegaram ao descampado exatamente às 11:00. Todos que desciam dos carros vestiam roupas pretas e óculos escuros. Se fosse a noite seriam confundidos com roqueiros ou algo assim. Mas não era. Infelizmente. Alex parecia ser o único que não seguia à risca aqueles trajes. Sua mãe não teve muito tempo para vestí-lo e ele acabou escolhendo a roupa que costumava dividir com o irmão, que agora estava sendo carregado por seus parentes.

Havia muito silêncio no ar. Apenas soluços eram ouvidos. Alex continuava sentado, olhando para o chão. Novamente seu irmão estava sendo carregado. As coisas pareciam progredir rápido demais, como se o mundo acelerasse momentos chave da vida de cada um ali, provando que realmente não temos controle sobre todo o caos que é viver e se adaptar e lidar com problemas simples e complexos, que estremecem a alma e te jogam na merda, como um cachorro moribundo que caminha sozinho implorando por comida ou um morador de rua que te olha no profundo dos olhos e te implora uma colher de comida, enquanto você finge que ele não existe. O mundo anda rápido demais. Demais. Caos.

Alex olhava para baixo, enquanto os homens desciam a caixa de madeira para baixo da terra e sua mãe estremecia de dor e lágrima e soluço e raiva e por pensar “Deus, porque uma criança ser tomada assim de mim?” e o porque de tanto sofrimento. Enquanto as pessoas presentes jogavam as flores ali uma coleguinha da escola de Alex, Anna, se aproximou. Eles estudavam juntos desde a pré-escola e ambas famílias se conheciam. Agora estavam na segunda série e continuavam na mesma sala.

Ela chegou devagar, com um olhar neutro, sem dor, sem peso. Inocente. Eram pequenos demais para entender. Ela entregou uma flor branca para a mãe de Alex que, pela primeira vez em 4 meses, sorriu. A garotinha então foi até onde Alex estava, parou a seu lado e segurou levemente a sua mão esquerda, ficando ao lado dele e olhando a terra sendo jogada no buraco.