Nestes últimos dias cansei de ver a mulherada carregando os seus exemplares de 50 Tons de Cinza no transporte público, em filas de banco e mesas de restaurantes. Cansei de ver moças cheias de pose, segurando seus livros pela cidade, na ânsia de serem taxadas de lúbricas por outros transeuntes. De dizer ao mundo como os seus pensamentos “literários”, dentro de um metrô lotado, eram “atrevidos”, e de como elas estavam ali, se injetando muitas doses de cinza para ter uma overdose nas suas camas durante a noite, provavelmente sozinhas.

Durante todos este tempo me contive para não julgar, pressupor, presumir, prognosticar, conjecturar e bla bla bla sobre o assunto (vai ver, até por medo de ser punida com chicotes e algemas por cometer tal imprudência, ui), mas foi mais forte que eu. Este best-seller, obviamente tão vendável e não tão obviamente “quente”, parece ter se convertido na nova bíblia da mulherada, na nossa bandeira, hino e brasão. E isso me envergonha, mais uma vez.

E você pode até gostar, e ficar brava comigo, mas depois não venha reclamar dos homens ou dos seus relacionamentos. Se você se excita, e grita isso aos quatro ventos, por ler as palavras “vértice”, “apimentada” e “CEO”, então não faça cara de enojada ao ouvir “pau”, “gozar” ou “meter”. E também não fique esperando que ele te mande flores, abra a porta do carro ou te faça um pedido de casamento.

Talvez seja melhor você ir tomar água com açúcar, ou consultar um sexólogo, porque se você acha que isso ai é literatura erótica, minha cara, não quero nem pensar o que vai achar que Mario Vargas Llosa, Bukowski, e se pans ATÉ Nicholas Sparks, escrevem.